Grupo de Estudos Laboratório de Estudos e Pesquisas em Ensino e Diferença COORDENAÇÃO Profa. Dra. Maria Teresa Eglér Mantoan Departamento de Ensino e Práticas Culturais https://www.leped.fe.unicamp.br/
quinta-feira, 4 de dezembro de 2025
Aprender a ensinar, o desafio do ser professor
domingo, 30 de novembro de 2025
Errâncias, Brechas e Esperanças:
o ofício de ensinar
Marcia Maria do Nascimento
Nos estojos há sempre uma caneta que perdeu a tampa e
ganhou o formato da mão que a segura todos os dias. Larrosa diz que a caneta é
gesto de vida estudiosa – e talvez seja essa vida que mantenha tantos
professores ligados ao sentido profundo da docência, como se a cada traço de
tinta houvesse um modo de registrar e permanecer no mundo. Ser professor é
existir como inspiração, como modo de habitar o cotidiano.
E existir na escola pública é mergulhar em seu caos
colorido. Esse ser professor não é ideia abstrata nem modelo ideal: é corpo que
se desloca pelos meios de transporte, mão que sustenta livros e cadernos, olhar
que insiste em não esmorecer diante das dificuldades. É fazer-se professor com
livros, lápis, cadernos, lousas – ferramentas que funcionam como pás, cavando,
cotidianamente, possibilidades onde antes havia apenas terra dura. Nesse cavar
diário, a aprendizagem se apresenta como reciprocidade silenciosa entre
professor e estudante, atravessando o cotidiano e sustentando a escola como
espaço vivo.
A docência também carrega uma solidão que raramente
se nomeia. Uma melancolia leve que se insinua quando tudo ao redor vira
planilhas, formulários, protocolos, tabelas, índices, números. Muitas vezes
parece restar pouco daquilo que motivou a escolha por esse caminho. Mas basta
um novo dia, uma nova proposta e o olhar curioso de um estudante para reavivar
a disciplina mais fundamental do ofício: a disciplina do olhar que abre mundos.
Um olhar que acende janelas. Nesse instante, professor e estudante se tornam
parceiros na travessia, porque aprender é sempre encontro – e estudar, sempre
convite. Assim o cotidiano se leva adiante: em pequenos gestos que, repetidos,
tornam-se prática formadora.
Estudar, escrever, arar: verbos que se repetem como
rezas de persistência. Verbos que deixam poeira nas mãos e nas roupas. Entre
dedos que carregam cansaços, canetões que mancham as mãos e lousas, lápis que
se desgastam, canetas que findam – e, apesar disso, ou talvez por causa disso,
os gestos seguem. Mundos possíveis continuam a ser cavados no chão duro das
expectativas e pressões. Ensinar e aprender, nesse cenário, tornam-se atos de
insistência contra a aridez do mundo.
Nesse ritual cotidiano, forma-se um ethos, no
sentido foucaultiano: o modo de se relacionar consigo mesmo, com o outro e com
o mundo. Um ethos que nasce quando o professor se reconhece responsável
por um tipo raro de delicadeza: a de abrir brechas – para o pensamento, para a
imaginação, para a infância, para o humano. Brechas que impedem que a escola se
transforme em máquina total, homogênea, esmagadora.
Mas há algo que pulsa ainda mais fundo no exercício
desse ofício: a resistência.
O professor da escola pública é, antes de tudo, um
corpo que resiste.
Resiste quando recusa que a criança seja reduzida a
número. Resiste quando transforma o tempo apressado em tempo de escuta. Resiste
quando o excesso de burocracia tenta engolir a aula e, ainda assim, a aula
acontece. Resiste quando oferece escuta e diálogo a quem recebeu silêncio. Resiste
quando abre horizontes a quem sempre disseram que não era preciso continuar,
que o pouco já bastava.
Cada gesto – por menor que pareça – é uma
desobediência às desigualdades que tentam moldar o destino dos estudantes. “Dar
aula”, ali, é também um ato político. É afirmar que ninguém está condenado ao
lugar de onde veio. É insistir que aprender é direito, e não privilégio. É
garantir que seja para todos, com qualidade, com liberdade. Porque a educação
pública só faz sentido quando reconhece cada criança como parte legítima do
mundo – e quando garante a todas acesso efetivo ao conhecimento que transforma.
Por isso a sala de aula, tantas vezes, se transforma
em território de esperança. Nela se costuram mundos que ainda não existem, mas
que podem vir a existir. E tudo isso acontece porque, diariamente, alguém
mostra um novo caminho a alguém, numa corrente silenciosa que sustenta a
própria ideia de sociedade.
Larrosa destaca a distinção entre professor e
pedagogo, embora ambos possam habitar a mesma pessoa. O pedagogo – aquele que
conduz – não conduz pela força, mas pela abertura de caminhos. É guardião da
alma da escola, protetor de seu caráter público e formador. Mantém viva a
possibilidade de que a escola seja travessia, e não confinamento.
Travessia: palavra que acompanha cada início de aula.
Todos os dias, crianças atravessam limites, origens, histórias – e os
professores também. Aprender, como lembra Serres, é errância. É desvio. É
nascer outra vez. Ser professor e acompanhar essa errância é também
deslocar-se, rearrumar-se, reinventar-se. Só assim o conhecimento circula como
deve: livre, plural e acessível.
E a escola, quando consegue ser verdadeiramente
escola, oferece justamente isso: a chance de reinventar a vida. É o espaço onde
o destino não está pré-determinado, onde é possível bifurcar, escolher, sonhar.
A escola coloca o mundo sobre a mesa – às vezes esmaecido, às vezes incompleto –
mas o entrega ao alcance das mãos. E o entrega a todas as mãos, sem exceção,
afirmando que ninguém deve ficar de fora da experiência de aprender.
É nesse gesto – simples, diário, frágil e poderoso –
que reside a resistência mais profunda.
Porque cada caderno aberto é uma porta.
Cada pergunta é uma fissura no mundo tal como ele é.
Cada aprendizagem é uma pequena transformação que se
espalha.
Nas estratégias diversificadas de cada aula, há
sementes.
Nas mãos dos estudantes, há futuros ainda sem nome.
E no trabalho do professor, há sempre a possibilidade
de que a sociedade inteira se mova – mesmo que um milímetro por vez.
Ensinar e aprender, quando acontece de verdade, é
esperança radical. E esperança, sobretudo nestes tempos, é a forma mais poética
e mais urgente de resistência.
domingo, 23 de novembro de 2025
AS ESPERIÊNCIAS DE ESTUDO EM TRÊS DIMENSÕES - Luiza Percevallis Pereira
AS EXPERIÊNCIAS DE ESTUDO EM TRÊS
DIMENSÕES
Luiza
Percevallis Pereira
O livro Elogio do Professor pode ser um livro de cabeceira dos professores,
pois amplia a liberdade de pensar a educação e os educadores. Ele faz parte de
uma coleção que valoriza a experiência de escrever dos professores, para transformar
o que eles já sabem e de transformá-los, tornando-os diferentes do que vinham
sendo. Refere-se à experiência de escrever que atribui novos sentidos à
educação e à prática docente, tendo o potencial de libertá-los de certas
verdades, que não lhes servem mais, diante das novas problemáticas
educacionais.
Se abrirmos o livro aleatoriamente,
podemos ver que cada texto, de seus 14 autores traz inspiração e reflexão sobre
o ofício do professor. Eles abordam a melancolia que os acomete vez em quando, a
escola em que vivem e a que gostariam de viver, a sala de aula, a artesania que
criam para desenvolver suas aulas e, principalmente, a beleza dessa profissão e
do legado que recebem, do qual fazem parte e que se responsabilizam pela sua
continuidade nas novas gerações. São tantos e tantos seus temas inspiradores,
mas hoje destaco: “As Experiências de Estudo”.
Essa escolha se sobressaiu das demais porque
a experiência de escrever nos leva à experiência de estudar, pois a escrita demanda grande
responsabilidade, tanto acadêmica como social. O educador, ao escrever, se
compromete com seu leitor, preocupa-se com a clareza do texto e a possibilidade
de seu entendimento, além das fontes que dão credibilidade a essa escritura.
Nesse contexto, destaco também a
proposição da professora Rosângela Machado, que participou de uma das reuniões
do GEL (Grupo de Estudos do LEPED), contando-nos sobre sua atuação nos
movimentos que ocorreram em Santa Catarina, que deram subsídios para a
elaboração desse livro. Ela refletiu conosco sobre a importância da avaliação
dos alunos ao ser pautada em suas experiências de estudo durante as aulas e
cursos, por serem mais significativas em relação à formação do estudante (um
dos desafios educacionais desse tempo contemporâneo no qual vivemos),
comparadas às provas avaliativas como têm sido feitas tradicionalmente.
Pensando em sua importância destaco três
modalidades de experiências de estudo que extraí do contexto do livro Elogio do Professor, pois avaliei serem
muito importantes para nós, educadores: as experiências de estudo com os pares,
as experiências de estudo com os teóricos e as experiências de estudo com os
alunos, a saber:
1-
Experiências de Estudo com os Pares
As Experiências
de Estudo com os Pares no livro estudado apresentam grau alto de proximidade dos envolvidos, de
cumplicidade, parceria e de confiança mútua, marcadas pelo vínculo forte da
amizade na profissão. Configuram-se, a meu ver, como relações de corpo e de
alma de educadores!
Esse clima faz com que os pares se
complementem. O professor Larrosa, por exemplo, explora a arte nas experiências
de estudo. Filma a escola, coloca-a sobre a mesa para que os alunos falem sobre
ela, conversem com ela, percebam sua beleza e pontos a melhorar, para que se
sintam pertencentes e compromissados com seus objetivos e rituais. No livro, Larrosa
dialoga com o professor Burlan que é produtor, roteirista, diretor de cinema, teatro
e professor. Um diálogo em que compartilham suas experiências de prática
consolidada.
Esses elementos vão compondo a
artesania dos professores. Suas escolhas e rituais foram desenvolvidos ao longo
das escritas dos professores autores desse livro. Entretanto, a proximidade
lhes deu o direito de aprofundar o tema e escrever sobre elementos que nem
sempre são citados nos livros sobre Educação. Dialogam sobre o amor: à escola, às disciplinas escolares, às
salas de aulas, às novas gerações, aos estudantes. Nomearam o “amor
pedagógico”, que põe o pedagogo em movimento, ao conduzir os alunos ao estudo. Valorizaram
assim a subjetividade humana e as experiências de formação, em que esses amores
vislumbraram e direcionaram seu caminho
de estudo para a educação.
Ao fazer minhas considerações no GEL sobre
esse livro considerei a educação como o ninho dos educadores. Assim como os
pássaros, o educador constrói e reconstrói esse ninho, firmando-se em sua base,
fortalecendo-a contra ataques dos predadores, ressaltando o teor diverso da
artesania que acontece em seu interior, seus
fundamentos e seus valores.
2-
Esperiências de Estudo com os Teóricos
No livro Elogio do Professor, muitos dos seus autores citam sua relação com
o trabalho de Hanna Arendet, filósofa, em sua teoria do mundo e da cultura e a
relação com a educação; também citam Javier Trímboli, um historiador que falou
sobre O comum na escola. Vale citar
também Richard Sennet, sociólogo e historiador, que, com o texto O Artífice, inspirou Larrosa para pensar
no ofício do professor. São muitas as citações que os autores fazem sobre suas experiências
de estudo com teóricos, muitos deles de outra área do conhecimento, que estão presentes em seu estudo e escrita nessa
obra.
Geralmente, as Experiências de Estudo com os Teóricos são mais solitárias que a
anterior, pois são individualizadas e realizadas por meio de livros e trabalhos
acadêmicos, mas também possuem níveis de proximidade quando se realizam em seminários,
conferências, congressos nacionais e internacionais, colóquios e afins.
Essa dimensão da experiência de estudo
é transformadora também porque aproxima os educadores aos teóricos que refletem
e pesquisam a Educação e a ação docente,
e as comparam no tempo presente ao passado, destacando os avanços e retrocessos
históricos, os reflexos de dominação e suas brechas. Assim, ampliam nosso pensamento sobre a
educação para uma dimensão inter e transdisciplinar, ampla e aprofundada.
Na minha explanação no GEL sobre o
livro considerei que essas Experiências
de Estudo com os Teóricos são parecidas com as paredes de um ninho, pois
permitem delimitar o espaço e deter-se minuciosamente ao que acontece em seu
interior. Nesse estudo possibilitou compartilhar conceitos, pensar sobre
vocação, linhagem e espírito artesão, dentre outros elementos presentes na
prática docente consolidada.
3-
Experiências de Estudo com os Alunos
As Experiências
de Estudo com os Alunos no livro Elogio
do Professor aconteceram principalmente nas aulas de estágio, que
promoveram encontros, envolvendo o
Colégio de Aplicação da UFSC e o Departamento de História da UESC, entre:
ü alunos em formação docente com professores que
atuam na educação básica;
ü alunos da formação básica e da formação docente;
ü professores da universidade com alunos da
formação básica;
ü
professores da
educação básica e da universidade.
Essa experiência de estudos de estágio
abrangente nem sempre acontece na formação de professores que, geralmente, se
restringe aos encontros entre alunos em formação docente e professores que
atuam na educação básica.
Nesses encontros, o diálogo versou
sobre percepções referentes à escola e
seus referenciais teóricos com o objetivo de preparar os alunos para a
realidade da sala de aula. Seu principal objetivo foi expor seus elementos e
transformá-los em matéria de estudo.
São experiências que exigem dos
participantes: curiosidade, abertura para o novo, comprometimento social, criatividade
e o enfrentamento do medo de olhar a própria prática docente e discente.
Essa dupla rebelião do olhar frente ao
ato de receber as novas gerações na educação escolar é uma necessidade do nosso
tempo, que na explanação que fiz sobre o livro no GEL identifiquei como o
alimento no ninho da educação, que ainda apresenta carência, para que o vôo de
todos seja possível.
Para Larrosa:
“Receber é fazer lugar, é abrir um espaço no qual aquele que vem possa habitar,
colocar-se à disposição daquele que vem, sem pretender reduzí-lo à lógica que
rege em nossa casa, pois lidar com a infância, algo que de antemão já sabemos o
que é e como matéria-prima para a realização de nossos projetos, desejos e
expectativas para o futuro é reduzir drasticamente o significado do nascimento
de um novo ser no mundo”. (Ferreira, M., 2021 apud Larrosa, 1998).
No último encontro do GEP estendemos nossa
reflexão para as experiências de estudo de professoras junto a alunos com deficiência,
que fazem parte de um trabalho acadêmico de doutorado de uma das participantes
do grupo. Outras reflexões focaram a convivência entre alunos com e sem
deficiência nas salas de aula. São temas que também se apresentam como desafios
educacionais dos tempos atuais. A sala
de aula como espaço de cidadania foi a afirmativa da professora Maria Tereza E.
Mantoan que encerrou nosso encontro e me instigaram a compor o seguinte
acróstico:
A sala de aula e a cidadania
Luiza Percevallis
Pereira
S
eguir estudando nos livra de certas verdades,
A
perfeiçoa nosso amor pedagógico e seu movimento.
L
igar-me aos princípios da Educação Inclusiva me trouxe essa liberdade!
A diferença e a igualdade em sua base instigaram
esse sentimento!
D ia a dia na sala de aula, as diferenças
emergem, com suas raízes,
E m experiências
escolares, nos seus diversos fatores e matizes!
A igualdade designa igualdade de direitos e de
pertencimento!
U ns a aceitam, outros lhe fazem
questionamento.
L ugar para experiências de estudo, de
convivência e de ousadia,
A sala de aula aberta, viva e comum é espaço de
cidadania!
E xperiências de estudo ampliam nossos
pensamentos,
A convivência,
contudo, nos enlaça a novos sentimentos!
C ada estudante, cidadão na sala de aula, tem
direitos essenciais.
I ncluídos
todos eles, com suas diferenças físicas e sócio-culturais,
D escartando marcas de homogeneidade,
seletividade e normalidade,
A sala de aula, como espaço de cidadania,
acolhe-os, em sua humanidade.
D
estarte, esse acolhimento tem sido lento, mas com futuro promissor...
A
educação, sabemos, tem legado transmissor e renovador.
N a
sua história, estiveram presentes questionamentos diversos,
I nduzidos
pelo instinto dominador chegam, mas se mostram adversos!
A
sala de aula em seu legado é um refúgio, que nos transforma, libertos!
quinta-feira, 25 de setembro de 2025
segunda-feira, 22 de setembro de 2025
domingo, 21 de setembro de 2025
REFLEXÕES SOBRE O LIVRO “ELOGIO DO PROFESSOR”
REFLEXÕES SOBRE O LIVRO
“ELOGIO DO PROFESSOR”
Luiza Percevallis Pereira
OBSERVAÇÕES:
As
reflexões sobre o livro “Elogio do Professor” são baseadas na minha vida
profissional na educação, no exercício dos cargos de Professora, Coordenadora
Pedagógica e Supervisora Escolar, nas redes públicas de ensino municipal e
estadual, nas cidades de São Paulo, Bauru e Lençóis Paulista. Após a
aposentadoria continuei meus trabalhos em Organizações da Sociedade Civil (OSCIP),
atuando na inclusão social da pessoa com deficiência.
As reflexões também são baseadas nos mundos que habito: 1- Com os Professores e livros, habito o mundo da Pedagogia, que movimenta meu fazer pedagógico, o mundo da Interdisciplinaridade, em suas interconecções, o mundo da Contemplação e da Vida Espiritual e o mundo da Inclusão; 2- Com os Sistemas Educacionais habito o mundo diverso e múltiplo da Educação e o mundo orientador e poderoso da legislação educacional; 3- Com os alunos tive novas experiências de habitar o mundo da cultura, o mundo da beleza do ofício de ser professora e passei a enxergar melhor o mundo que violenta a infância e a adolescência das novas gerações.
Reflexões
sobre o Livro “Elogio do Professor”:
Partes do Trabalho para a reflexão: 1- Identificação, 2: Justificativa,
3- Objetivos, 4 -Metas/ Responsabilidades, 5- Procedimentos Metodológicos e 6- Conteúdo
atendendo aos objetivos da coleção e do livro.
1-
IDENTIFICAÇÃO:
1.1.O Livro: Elogio do professor tem como organizadores: Jorge
Larrosa, Karen Christine Rechia e Caroline Jaques Cubas. Tradução: Fernando
Coelho, Karen Christine Rechia e Caroline Jaques Cubas. Editora Autêntica- Belo
Horizonte- 2021. 398 páginas.
O livro faz
parte da Coleção: “Educação: Experiência e Sentido”, sob a Coordenação de Jorge Larrosa
e Walter Kohan
• Elogio:
ü Termo que nos remete à escrita sobre
uma imagem, com intenção de louvar ou elogiar um personagem, neste trabalho: o
professor (Larrosa, pág. 13)
ü Se o elogio é uma forma de lamento,
ele é também um modo de trazer à vida, de preencher de ânimo, aquilo que
definhava e devolver sua potência (Glaucia Costa, pág. 122).
• Professor: não um tipo ideal, um modelo; mas
sim, o professor encarnado. Suas ferramentas são: livros, cadernos, lápis,
lousa, giz, através dos quais sua artesania se constitui, em seus gestos
fundamentais. (Larrosa, pág. 13)
1.2.Considero
que o livro Elogio do Professor resulta
de um Trabalho Acadêmico, Político -
Pedagógico Interdisciplinar:
Político porque apresenta uma abordagem de resistência
à cultura escolar da atualidade, ao focar a educação, a escola, o professor e a
profissão docente.
Pedagógico porque se desenvolveu por meio de um
processo de educação, com estratégias, etapas definidas, que promoveram a
reflexão sobre os objetivos propostos.
Interdisciplinar
porque:
o
Reuniu
professores de várias áreas do conhecimento e com variada experiência docente,
com nova atitude diante do conhecimento.
o
Atitude
dos envolvidos em que o ineditismo foi encontrado nos aspectos já conhecidos, através
de buscas de novas qualidades neles presentes, novas combinações de seus
componentes, novos sentidos para seus objetivos, na ação individual e em
parceria;
o
Apresentou
elementos dos 05 princípios que formam a base da interdisciplinaridade:
Coerência, Humildade, Espera, Respeito e Desapego perante o conhecimento,
apresentados pela metáfora do olhar multifacetado interdisciplinar.
1.3.São 14 Professores Autores, das
seguintes disciplinas:
• História: Caroline Jaques Cubas;
Glaucia Dias da Costa; Karen Christine Rechia.
• Filosofia: Fernando Bárcena; Jan
Masschelein; Jorge Larrosa.
• Geografia: Ana Maria Preve.
• Ciências Sociais: Thereza Cristina
Bertazzo Silveira Viana.
• Ciências da Educação: Beatriz
Fabiana Olarieta; Maximiliano Valerio López.
• Pós-Graduação em Sociologia Política:
Thereza Cristina Bertazzo Silveira Viana.
• Biologia, Geografia e Pedagogia: Adriana
Fresquet.
• História, Filosofia e Sociologia:
Luiz Guilherme Augsburger.
• Estágio: Caroline Jaques Cubas;
Glaucia Dias da Costa.
• Cinema: Cristiano Burlan.
• Cinema e Psicopedagogia : Adriana
Fresquet.
• Teatro: Melissa Ferreira.
Experiência
docente:
• Educação Infantil: Beatriz Fabiana
Olarieta.
• Educação Básica: Adriana Fresquet;
Glaucia Dias da Costa; Melissa Ferreira; Thereza Cristina Bertazzo Silveira
Viana.
• Educação de Jovens e Adultos: Jorge
Larrosa; Maximiliano Valerio López.
• Formação de formadores: Ana Maria
Hoepers Preve; Glauvia Dias da Costa; Beatriz Fabiana Olarieta; Caroline Jaques
Cubas; Jorge Larrosa; Karen Chistine Rechia.
• Pós-Graduação: Jan Masschelein; Cristiano Burlan.
• Conferencista: Jorge Larrosa.
• Complexo penitenciário Hospital de
Custódia e Tratamento Psiquiátrico: Ana Maria Hoepers Preve; Luiz Guilherme
Augsburger (Oficinas)
2-
JUSTIFICATIVA:
2.1. Críticas à Escola: “A escola não consegue transcender a era da burocracia”; A
escola está a serviço do capital econômico, pois o conhecimento é um bem
econômico e há hierarquia nas formas de conhecimento que a escola reproduz sem
hesitação”; “A escola deve se apoiar diretamente sobre a produção de resultados
de aprendizagem, de competências que os alunos possam aplicar em um ambiente de
trabalho e em ambiente social, cultural e político”.
ü Obs: No livro
“Em Defesa da Escola: Uma Questão Pública” de Jan Masschelein e Martan Simons,
os autores explicam que: “Desde a sua origem, a escola provocou
medo e perturbação, tornando-se uma fonte de ansiedade para aqueles que
poderiam perder poder, privilégios ou alguma outra coisa, através da renovação
que ela possibilita; Essa renovação é difícil de ser tolerada pelos
conservadores, ou por todos os que procuram proteger seus patrimônios ou
legados que consideram propriedades (elite cultural ou a geração mais velha,
que trata a sociedade como sua propriedade, bem como a posse do futuro dos
jovens, por exemplo)”; “Eles querem domá-la”, dizem os autores. Domar a escola para eles significa governar
e/ou controlar seu caráter democrático, público e renovador.
2.2. Críticas à carreira docente: O credencialismo da carreira docente, as recompensas
econômicas (ou de outro tipo) em troca do que se chama de produtividade vão
diretamente contra o amor, à medida que o substituem pelo interesse (a única
paixão aparentemente legítima e dominante nesta época)
2.3. Críticas à cultura da
aprendizagem que desqualifica o trabalho do professor e o
considera: Fantoche
educacional, Um mediador, Animador de aulas,
Treinador de competências, Gestor de emoções, Impulsionador de
aprendizagens autônomas. Perdeu sua autoridade simbólica. Perdeu sua autonomia profissional.
Necessita de controle e reciclagem permanente. Há dissolução do sentido público e independente de seu trabalho.
2.4.Críticas à atual redifinição do trabalho do professor porque contribui para a
homogeneização de suas maneiras, para a erosão do seu pensamento, o esvaziamento
de sua subjetividade (antes chamada de consciência) e, nessa lógica, fazê-lo
cada vez mais idiota, mais obediente, mais estereotipado, mais precário, mais
intercambiável, mais prescindível.
Obs: O ofício é algo que seguramente
perdemos mas que ainda podemos encontrar os rastros, algumas marcas do “espírito artesão”(pág. 152-153)
2.5. Críticas ao Professor Amoroso: “O Professor
amoroso é um ser em Paz. Mostra a beleza de ser professor fazendo bem o seu
trabalho. (Larrosa, pág. 179-180):
ü Críticas: A
maioria dos professores não é assim; Você não conhece a realidade das coisas; Você
não vive no mundo real (porque não entende seu ofício como um combatente)
ü Pergunta: Para se ter
um vínculo “real” com o mundo é preciso ser um lutador?
3- 0BJETIVOS
3.1.
Objetivos da Coleção:
Ampliar nossa liberdade de pensar a educação e de nos pensarmos, como
educadores. Testemunhar experiências de escrever na educação, de educar na
escritura (uma escritura que permita que nos livremos das verdades pelas quais
educamos, nas quais nos educamos.
3.2- Objetivos do Livro Elogio do professor: Dedicar tempo e atenção às formas e
aos gestos que, de alguma maneira, compõem o ofício do professor.
3.3. Objetivos do GEL: Refletir sobre o professor e a profissão docente e de nos
pensarmos como educadores.
4- METAS
4.1.Primeira parte do livro: “Elogios”: Celebrar aspectos particulares do
ofício de Professor, naquilo que ele apresenta de público e comum.
4.2.Segunda parte: “Notas à margem”: Destacar resultados dos exercícios de
leitura do livro Esperando não se
sabe o quê, direcionando questionamentos ao autor e suas respostas.
4.3.Terceira parte do livro: “De
incidências e coincidências” Dar atenção às conversas sobre o ofício do Professor como um modo de
vida e sobre uma vida que se constitui a partir de maneiras particulares de
ser, empreendidas por Larrosa ao longo de seis meses de cursos e conferências
pela América Latina.
4.4.Quarta parte: “Exercícios: Apresentar atividades distintas que
aconteceram em momentos diferentes que possibilitam um pensamento cuidadoso a
respeito do ofício do professor.
5-Procedimentos
Metodológicos: estratégias, atividades, recursos e etapas do projeto.
5.1. Convite a pessoas com ânimo estudioso para participar
da proposição abaixo, lendo um dos livros, escrevendo um texto sobre o tema
comum, e apresentá-lo em um congresso.
5.2. Estratégias comuns: Proposição de uma série de
atividades congregadas sob o nome “Elogio do Professor”, ocorridas em setembro
de 2018, em Florianópolis, Santa Catarina, analisá-las e escrever sobre elas.
5.3. Recursos: leitura de um dos livros abaixo,
que contém elementos de materialização do ofício de Professor:
ü Esperando não se sabe o quê (Larrosa, 2018)
ü P de professor (Larrosa, 2018).
As reflexões
sobre o livro serão apresentadas por meio da metáfora: “Ninho de pássaros”
A- a base do
ninho:
A Base de um ninho arquitetada pelos
pássaros é firme, feita com gravetos bem juntos, formando um solo capaz de sustentar
todo o movimento da recriação.
Nesse livro: “Elogio do Professor”, considerei que sua base foi
constituída pela escrita de Jan
Masschelein, Fernando Bárcena e Jorge Larrosa:
6- Conteúdo
da primeira parte- Elogios (a base do ninho)
6.1. Destaques da escrita de Jan
Masschelein
ü Pedagogo: palavra de origem grega: Pais:
criança e agoc: on-ducere ou colocar em movimento.
Em seu
trabalho, o Pedagogo coloca a criança em movimento ao sair de casa e ir à
escola, sair do mundo privado para o mundo público, em que tem a oportunidade
de se bifurcar, de libertar-se de lógicas e pertencimentos restritivos para
pensar e conversar com o mundo, que se abre na escola, que é um lugar de
exercícios.
Na escola,
cada estudante é chamado pelo nome, não sobrenome da família. Esse movimento
provoca a experiência de ser sem destino, mas ser capaz de encontrar o próprio
destino.
O Pedagogo
vigia a escola para que permaneça escola, em sua via pedagógica, não um
dispositivo político do Estado.
ü A arte do falar pedagógico: A voz do professor tem força e
autoridade, engendra uma presença e atenção compartilhada a algo que nos fala.
É uma flecha em direção a outro lugar, é trazer à presença esse lugar antes
ausente.
ü Função docente: O aprender X O
aprender na escola
A Escola como
forma pedagógica: contem uma comunidade que não tem passado compartilhado.
Consiste em um arranjo artificial de pessoas, tempo, espaço e matéria
A Escola vista
como tempo livre: um tempo para o estudo, que coloca as pessoas próximas umas
das outras e com o mundo: um mundo que se abre, em que os alunos começam a
pertencer e a se interessar por ele.
A escola apresenta
o que há no mundo e na sociedade como matéria escolar ou matéria pública. Tem
artefatos e tecnologia própria ao colocar algo presente, que desperta a atenção
e a curiosidade dos estudantes
Na escola, os
estudantes colocam temporariamente sem efeito o uso habitual das coisas.
ü A pragmática da escola: oferecer a experiência de ser sem
destino, mas ao mesmo tempo de ser capaz de encontrar o seu próprio destino.
6.2 Destaques da escrita de Fernando Bárcena:
ü Ser professor: não se ensina. É uma forma de vida,
uma escolha existencial. Seu corpo não é somente biológico, é estendido pelos livros.
Seu tom da voz é o seu próprio tom de vida; seu caminho impõe uma marcha e o
seu reino não é deste mundo. A voz do professor tem autoridade para falar
sobre o que é comum e universal.
ü Bárcena tem 2 amores: amor pelas práticas de estudo, seus exercícios e rituais e seu amor
pela sala de aula e estudantes. São amores rivais, devido às demandas que
trazem consigo.
ü As dificuldades lhes causam melancolia? Elas passam a
ser seu ofício? Como agir?
O caminho é o
amor pela contemplação, ao pensamento e à vida intelectual: um regime de estudo
da “tribo dos melancólicos”.
“Os filósofos
e os estudiosos pertencem a uma espécie de “aristocracia filosófica”, que
concede para si o poder de se dedicar aos trabalhos do espírito”.
ü A voz: Nós nos encontramos com nossa
própria voz e tom: não precisamos de um método
ü A escrita: É necessário encontrar seu caráter,
sua natureza, seu ser, seu modo de se
expressar:
Pensar no
amor: o amor que permite escrever e o amor que impede a escritura;
Aceitar a
melancolia (considerada como um sentimento sagrado, obra dos deuses e marca da
sabedoria e da genialidade;
Suportar a
fadiga do estudo e assumí-la. A palavra estudo vem do latim e significa:
empenho, aplicação, zelo, ânsia, cuidado, desvelo, afã e também possui o
sentido de afeto.
ü A via é a do Amor Pedagógico,
que acompanha e adoça o caminho. É o amor pela contemplação, presente na vida
intelectual do professor, que vive em vários mundos.
6.3. Jorge Larrosa O autor
cita as coisas de comer,
de usar e de mirar. A existência das coisas depende que os humanos não somente
vivam na Terra, mas também habitem um mundo (lar humano para Arendt) (pág. 97).
ü Professores oferecem a escola como matéria de
estudo e outras coisas do mundo que mereçam atenção e respeito, ou seja, dão
autoridade a elas e ao mundo. Mas o
capitalismo destrói o mundo e a cultura, pois transforma tudo em uso e
utilidade.
ü Gostamos da escola? Para que nos serve? A
resposta é: preciso ir à escola porque o que está em jogo não é a felicidade,
mas a salvação do mundo.
ü Como fazer?
Respeitar
ao mundo: olhar de
novo, guardar distância, ou seja, não invadi-lo ou devorá-lo, não usá-lo. Reconhecer
sua dignidade e autoridade (primazia).
ü O Mundo significa:
Algo que deve
ser transmitido às novas gerações (para a renovação);
Algo que pode
ser destrutivo para as crianças e jovens.
ü É preciso abrir
uma espécie de vazios ou de buracos na cidade, que estejam livres da fome e da
utilidade, da tirania sem mundo. As possibilidades são: a escola, a democracia
e a filosofia.
B-
AS PAREDES PROTETORAS DO NINHO
As paredes
que protegem o ninho dos pássaros são formadas de tal forma que além de conter
os ovos, o cuidado dos pais para o nascimento dos filhotes em seus diversos
movimentos, também possibilitam a ventilação e a segurança do ninho em todo o
processo de trazer novas vidas à natureza e à continuação da espécie.
6- Conteúdo
da SEGUNDA parte- NOTAS À MARGEM (pAREDES PROTETORAS do ninho)
Nessa parte do livro considerei como sendo suas paredes protetoras: Conceitos compartilhados ; A vocação; O espírito artesão; As características do trabalho artesanal; A linhagem; A beleza do trabalho do Professor; A Sala de Aula; A Prática Docente Consolidada; O Reconhecimento do Trabalho do Professor; As Brechas e os Buracos da Dominação; A Confiança no Porvir.
6.1. Conceitos compartilhados pelo
grupo de professores autores
ü Educação se relaciona com o duplo amor: amor
pelo mundo e amor pela infância. Tem a ver como os velhos entregam o mundo aos
novos para que o salvem da ruína, renovando-o.
Por isso dá o mundo como matéria de estudo, a experimentação, o jogo, a
invenção. Mas também para que aprendam a respeitá-lo e não devorá-lo.
ü Escola: Lugar não somente para a preparação
para a vida mas, sobretudo como um espaço e um tempo separados para tornar
possível a transmissão, a comunização e a renovação do mundo.
ü Disciplinas escolares: refere-se à disciplina da atenção e
do respeito pela matéria.
ü Cultura: Conjunto de coisas tangíveis (livros,
quadros, estátuas, músicas, idéias, teoremas), subtraído da erosão dos tempos e
ao uso ou utilidade para captar nossa atenção e comover-nos. Coisas fabricadas
para o mundo, não para os homens, e para perdurar além do ir e vir das
gerações. São afastadas no consumo e uso e isoladas das esferas vitais humanas.
Ao serem protegidas não nos servimos delas, mas colocamo-nos ao seu serviço, protegendo-as
(Arendt).
ü A Escola em relação à cultura: Subtrair algumas coisas do uso, da
função e utilidade; Colocá-las à distância para uma relação interessante e
desinteressada; Chamar a atenção sobre elas e demorar-se nelas. É uma espécie
de refúgio para o mundo, para a atenção ao mundo e para as crianças (para que
sejam estudantes).
6.2. Glaucia Dias da Costa
ü O trabalho docente é um ofício milenar que muda de
acordo com as épocas e as funções que lhe atribuem.
ü Características do trabalho artesanal: orgulho do próprio trabalho;
perícia e empenho na produção de coisas ou objetos; lentidão na realização, de
modo a garantir que a prática se consolide; gosto pela curiosidade; valorização
da rotina e da repetição prática; e certa idéia de vocação, como o acúmulo de
experiência somado à convicção de que se está destinado a fazer algo (Sennett,
2009 apud Glaucia Dias).
ü A profissão docente como um ofício que carece de
repetições e recomeços, de modo a garantir a perícia e a consolidação de uma
prática.
ü As mãos escolares, além de fabricarem objetos
pedagógicos, como mapas, textos, cronogramas, provas com seus movimentos
particulares, fazem gestos que conduzem, iluminam, apontam, desenham,criam e
oferecem palavras e imagens ao mundo. Manipulam o mundo e o transformam em
objetos de contemplação e aprendizado.
ü A produção do professor é, em grande medida, intangível.
Resta-lhe o sentimento de que “valeu a pena” que é uma forma de reconhecimento
de si no seu trabalho.
ü Ser professor é “dar atenção ao mundo”, criar nas
aulas “um tempo e um espaço nos quais seja possível conduzir olhares e produzir
novas formas de olhar”.
ü Caminho da escola grega: Larrosa nos dá um horizonte para
pensar de modo diferente e resistir às investidas externas e que nada têm a ver
com a educação e a escola.
ü Vocação e ofício: Larrosa retira das palavras
“vocação” e “ofício” seu caráter sagrado, eterno e imutável (exercício
profano). A vocação ressignificada é um chamado ao estudo e ao aprimoramento do
ofício.
ü O artesão é um leitor de sinais emitidos pelo
mundo e sua vocação se confirma na medida em que reconhece esses signos e se
coloca na condição de prendê-los.
ü A escola para Larrosa é um lugar de descoberta
de vocações, na medida em que apresenta diferentes mundos, ampliando o
repertório de interesses dos estudantes.
6.3. Jorge Larrosa responde à
Glaucia:
ü O que faz um professor? Produz devires orientados a modificar
a relação com o mundo, fazendo-a mais atenta, mais sensível, mais receptiva e
mais exata, através dos exercícios e do estudo.
ü O professor e os estudantes estão sempre em processo e devires
inacabados, incertos e imprevisíveis
ü A relação das mãos com o cérebro, entre os modos de fazer e de pensar
é fundamental no ofício do professor.
ü Espírito artesão é reconhecer e valorizar os gestos e
maneiras de professor.
6.4. Ana Maria H. Preve:
ü O cansaço do exercício do ofício causa
tristeza, desgosto e paralisia.
ü A beleza precisa ser trazida à presença.
(Resposta de Larrosa)
ü A terra destruída faz com que percamos os caminhos que
nos são próprios: do estudo (lugar, tempo, procedimentos) e a comunidade de
estudo.
6.5.Jorge conversa com Maximiliano Lòpez
ü Não se trata de enfrentar o
capitalismo, mas de criar uma espécie de brechas ou cavar buracos no seu
interior para viver de outra maneira, que escapa às regras da dominação e fazer
as coisas de outro modo, com dinâmicas próprias, produzir um afastamento.
ü Refúgios, bolhas respiráveis no
interior de um ar irrespirável, mundos sutis, ingrávidos e gentis como bolhas
de sabão.
ü Emancipação: maneira de viver no
mundo do inimigo na posição ambígua de quem combate a ordem dominante, mas
também é capaz de construir lugares à parte, nos quais possa escapar das suas
leis.
ü Separação das lógicas do capitalismo:
competitividade, promoção, meritocracia, critérios empresariais. Explorar as
lógicas do exercício e do estudo (modificação da relação como o mundo, estar
mais atento e cuidadoso. Construir uma experiência ampliada do mundo) ao invés
das lógicas da aprendizagem (aquisição de saberes e de competências)
6.6.Maximiliano Lòpez: Gratuidade e
Promoção
ü A sala de aula: lugar fundamental da escola, lugar
sagrado. É o lugar mais antigo. Um lugar
vazio, disponível, altamente ritualizado, que tem algo do refúgio, separado,
protegido, no qual nos reunimos em torno de um objeto comum, de uma matéria de
estudo. A sala de aula é muito mais antiga do que o sistema educacional, que
teve seu início somente no século XIX.
Em sua
materialidade muda, sua disposição espacial, em seus rituais e suas modestas
ferramentas, a sala de aula conserva a semente daquilo que outrora se denominou
teoria, vita contemplativa, ou, simplesmente, estudo.
É o lugar
primordial no sentido de ser o lugar em que tudo começa ou recomeça; o lugar em
que o mundo é cotidianamente
transmitido, renovado e posto em comum. Um lugar em que se oferece o mundo às novas gerações.
6.7.Luiz Guilherme Augsburger: amizade e linhagem
ü A Linhagem atualmente é vista como uma
filiação esvaziada de herança, pois tudo o que é antigo é sinônimo de
ultrapassado e indesejável: somos sujeitos sem história, sem passado, sem
herança.
ü Phylum é um tipo de linhagem em que não
nascemos, mas em que entramos, tem a ver com uma arte de fazer, como um ofício.
ü O phylum professoral é um tipo de filiação em que nos
inserimos por meio da escuta de um chamado. Que se dá por uma herança, mas
também através do gesto de pôr em jogo a figura do amigo- esse com quem se anda
e que diz quem somos- e de uma philia- um amor das minúcias, da confiança por
algo ou alguém, que nos move sem que o queiramos possuir. Phylum que nos faz
ser quem somos e que fazemos ser quem é.
6.8.Larrosa responde a Augsburger:
ü A tradição do ofício de professor é o que nos falta.
ü A Linhagem em relação ao ofício: Não somos iniciadores, nem
superadores, somos herdeiros e descendentes. Nosso ofício é milenar (uma arte
grega) e as dificuldades que encontramos não são muito diferentes das de nossos predecessores. A linhagem
seria uma espécie de inter-relação narrativa de vidas presentes e passadas. O
passado está conosco na medida em que forçamos o futuro: ao mesmo tempo que
avança, vai recordando o caminho, voltando a trazer as linhas traçadas.
ü Linhagens maquínicas de Deleuze e
Guattari em Mil
Platôs, que temos indicado mas ainda não contextualizado.
6.9.Fernando Bársena e Jorge Larrosa
ü A relação com o mundo: Bársena é musical. Larrosa valoriza
a linguagem e palavras.
ü Agir na brecha do tempo é o que está
em jogo. O tempo
presente nos dá matéria ao pensamento.
ü Confiar que o porvir está aberto, e não a repetição indefinida do
mesmo. A história pode continuar.
ü É preciso ter um pé na rua e outro na
biblioteca e a cabeça no meio. O que acontece na rua é matéria do estudo. Quando os
estudantes perguntam o que fazer? Damos-lhes livros. Não devemos dizer o que é
necessário fazer.
Observação: Esse material foi apresentado na reunião do GEL no dia 10/09/25 e destacou o conteúdo do livro referente
à sua primeira e segunda partes (até a página 280).
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